sábado, 3 de maio de 2008

Capítulo 2.

Sonhava com o celular tocando quando escutou seu pai gritar: “Atende isso daí, Pê!”
Abriu os olhos assustada e ficou procurando o celular, seguindo pelo toque cada vez mais crescente.
Quando viu no display: "mãe chamando", já sentiu a vontade de se jogar para trás na cama, sabia que iria ter que levantar. Lá se vai o sono.
“Oi mãe. (...) Aham. (...) Claro que tava, o que eu ia tá fazendo acordada essa hora? (...) Ahhh, mãe, agora??? (...) Por que não pede pro pai? (...) Tá, tá, tá bom, vou levantar e já chego ai. Tchau.”
Desligou sem esperar a resposta. Permaneceu parada na cama por alguns minutos até que decidiu se levantar.
Tomou um banho rápido, se vestiu e não penteou os cabelos.
Talvez pra irritar a mãe, que sempre a pedia pra que deixasse crescer novamente.
Saiu do quarto e encontrou o pai sentado no sofá, tomando seu habitual café frente ao seu programa de culinária predileto.
Passou a mão no cabelo dele e deu um bom dia com cara de quem estava com muito sono, mas não queria mais brigas com a mãe, então cumpriria o pedido.
- Pai, onde tá aquele livro da capa azul, que a mãe sempre usa?
- Vê na estante.
ia até a outra sala quando o viu sobre a mesa e pensou em como a mãe era esquecida. Colocou o livro na mochila velha, toda escrita de corretivo por seus amigos, pegou seu skate e saiu.
Passou pela praça e se lembrou de Marcos, amigo de infância que foi embora para Portugal, deixando pra ela o velho skate surrado como uma relíquia. Logo ele estaria de volta, pensou.
Lembrou de como Marcos era bom no skate, sempre dizia que um dia seria como ele, o rapaz sorria encantado. Ele era daqueles amigos sempre presentes,
Petry o tratava como irmão mais velho. Sentiu muito quando ele foi embora para o exterior morar com uns tios. Sempre se falavam e ele perguntava se ela estava cuidando bem do "filho deles".
Muitos diziam que ele era apaixonado por Petry, mas ela preferia acreditar que era um bom amigo e sabia como ser prestativo.
Lembrou de um dia que estavam andando na praça e Marcos caiu, quebrando o pé e pensou consigo mesma que nunca havia quebrado nada.
O portão do estacionamento do cursinho estava aberto, não pensou duas vezes para interromper as lembranças e entrar por ali mesmo, já que cortaria uma volta. Estava olhando para os lados, tentando passar despercebida na área restrita a carros, quando escutou uma freada e fechou os olhos no susto.
Escutou o barulho de algo quebrando e logo pensou no skate.
Levantou rápido, preocupada, e se deparou com a motorista parecendo ainda mais preocupada, mas menos aborrecida do que ela estava.
- Você tá bem? É louca de ficar andando assim no estacionamento de skate? Não viu que aqui ninguém respeita?
- Ah não, não vi, você quase passa por cima de mim e eu não vi!
- Eu não passei por cima de você, que exagero! Além do mais você tá errada.
- Não passou por cima? E como você me explica esse skate quebrado? Aff, sai daqui patricinha.
- Patricinha? Você é louca?
Deu as costas para a menina, fingindo nem ouvir a última frase. pegou o skate como se não tivesse dado importância para o acontecido, sem olhar para trás seguiu e quando não mais podia ser vista, sentou-se por alguns instantes e ficou se remoendo de raiva, poucos sabiam do valor emocional daquele skate para que uma desconhecida qualquer fizesse uma dessas.
Caminhou com o skate, partido em dois, até as escadas.
Entrou no corredor, procurando sua mãe. Jamais gostara daquele colégio, dava graças a Deus de já estar na faculdade.
Seu curso não era bem o que tinha escolhido, mas foi se identificando aos poucos. Tinha feito vários amigos, pois seu jeito cativava as pessoas, era grosseira ao mesmo tempo que se tornou a palhaça da turma, bem humorada como sempre, conversava bastante, mas nunca falava de sentimentos, pensavam que ela era super fria com esses assuntos.
Só que na verdade era apenas reservada.
E lá estava ela, no velho corredor. Perguntou na secretária e se dirigiu até a sala 22.
Bateu na porta, quando alguém encostou de leve nas suas costas pedindo licença.
"Toda." _ respondeu.
e, ao se virar, deu de cara com a garota que havia quebrado seu skate.
- Ah, você...
Com uma cara feia, abriu a porta e se esquivou, a Professora olhou pras duas e se dirigiu a filha, apenas olhando feio para
Isadora, que se encolheu, passou pelas duas e sentou na primeira cadeira vaga.

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