Isadora acordou preocupada com a hora.
Maldito despertador, mais uma vez que deixava de tocar.
Seu pai já havia dito pra que ela comprasse outro relógio, mas Isa vivia atarefada e sempre se esquecia, a não ser quando tinha que agüentar as broncas que levava da professora Leonor.
Aquela professora não entendia que em cursinho, os horários nem sempre são seguidos a regra.
Isa não gostava de se atrasar e não era sempre que acontecia só quando ficava acordada até tarde conversando com seu pai, as crises dele estavam aumentando e estava cada vez, bebendo mais.
A falta da mãe de Isa era muita.
Ela havia falecido há 3 anos, quando Isa estava no último ano do colegial. Sempre fora uma mulher vaidosa, mas jamais havia pensado que isso pudesse causar sua morte.
Morreu numa mesa de cirurgia enquanto fazia uma lipoaspiração.
Um erro brutal do médico, na verdade.
Desde então, Isadora passa grande parte do tempo com seu pai.
Preenche, ou pelo menos tenta preencher, a ausência de sua mãe.
Desde o acontecido, Isa se bloqueou muito para a própria vida, puxou para si os cuidados com o pai e acabou até abandonando vontades que tinha antes.
Quando a mãe morreu, estava para prestar vestibular para matemática e a situação foi tão forte que acabou desistindo, colocou para si uma vontade terrível de assumir a responsabilidade de erros alheios.
Talvez tenha ficado traumatizada com tudo, o que sabíamos apenas era que de matemática passou a se interessar por medicina.
Hélio, seu pai, no começo estranhou a idéia, mas depois acabou cedendo diante os esforços da menina. Só não entendia porque durante 3 anos ela nunca prestara um vestibular.
Preferia mesmo continuar no cursinho até que pudesse ter certeza estar preparada. Não queria falhar, perfeccionista que era.
Por isso se irritou quando o despertador deixou de tocar mais uma vez.
Se arrumou rapidamente e entrou no carro sem nem tomar café.
Ela, que sempre dirigia de maneira responsável, naquele dia abusou um pouco, nem admirou a paisagem do caminho como sempre fazia, só acelerou.
Entrou um pouco rápido no estacionamento do cursinho, e apesar da velocidade do carro conseguiu frear quando uma garota com um skate surgiu do nada em frente ao carro. Isa sequer estacionou, abriu a porta com tudo e foi ver se tinha machucado a menina.
- Você tá bem? É louca de ficar andando assim no estacionamento de skate? Não viu que aqui ninguém respeita?
- Ah não, não vi, você quase passa por cima de mim e eu não vi!
- Eu não passei por cima de você, que exagero! Além do mais você tá errada.
- Não passou por cima? E como você me explica esse skate quebrado? Aff, sai daqui patricinha.
- Patricinha? Você é louca?
Falou com o estacionamento, pois a menina deu as costas enquanto ela se queixava da falta de educação. Saiu nervosa, revoltada com a garota. Tanto que havia se esquecido da Professora Leonor e a bronca sem nexo que provavelmente levaria ao entrar atrasada em sua aula.

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